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Detalhes
Função : Editor, Publicador
Nascimento : 10/06/1907
Falecimento : 10/05/1991
Naturalidade : Ekaterinoslav, Rússia
Resposta: #1
Adolfo Aizen
O nome dele era Adolfo Aizen

Poucos, entre os leitores atuais, sabem quem foi Adolfo Aizen. Menos ainda se lembram que um dia, aqui no Brasil, existiu uma editora chamada Editora Brasil-América (Ebal), que publicava histórias em quadrinhos e era líder nesse segmento.
Aizen afrente da maquete do prédio da Ebal no Rio de Janeiro.
Há mais de 100 anos, nascia na Rússia a pessoa que mudaria para sempre a cultura dos gibis em nosso país. Com apenas 27 anos, Adolfo Aizen, voltou de uma viagem dos Estados Unidos com uma idéia na cabeça: publicar quadrinhos no Brasil. Sonho realizado em 14 de março de 1934, quando lançou, junto do jornal A Nação, o primeiro Suplemento Juvenil.

Não era essa a primeira tentativa de publicação de quadrinhos no país, O Tico-Tico era publicado desde 1905, mas contava apenas com histórias humorísticas e infantis, além de brincadeiras e curiosidades.

Conforme o pesquisador Gonçalo Junior revela no livro A Guerra dos Gibis, o Grande Consórcio de Suplementos Nacionais de Aizen inovou ao trazer para o Brasil os heróis de aventura, segmento que começou a ganhar força nos Estados Unidos durante a década de 1920.

Vendo seu ex-funcionário começando a ganhar dinheiro com aquele tipo de publicação, Roberto Marinho, do jornal O Globo, resolveu que era hora de investir ele também nas histórias em quadrinhos. Nascia em 13 de junho de 1937 O Globo Juvenil.

Como uma resposta a Marinho, Aizen fez nova viagem aos Estados Unidos a tempo de conhecer um novo formato de publicação que surgia no mercado americano: o comic book. A grande novidade era a publicação de aventuras completas em quadrinhos. A empolgação foi tanta que em maio de 1939 lançou a revista de 32 páginas chamada Mirim, que ficou a cargo do jornalista e futuro embaixador Luiz Almeida Nogueira Porto, e tinha a periodicidade semanal, logo ampliada para duas vezes por semana, ás quartas-feiras e domingos.
Livro de Gonçalo Junior sobre a vida de Adolfo Aizen.
Pouco tempo depois veio O Lobinho. "Em vez de adotar também o formato comic book de O Mirim ou o do velho tablóide tipo Suplemento Juvenil, Aizen experimentou em O Lobinho um formato nunca antes usado em publicações de quadrinhos brasileiras: o standard. (...) A publicação saiu com oito páginas e também era vendida a trezentos réis. Ou seja, Aizen fez literalmente um jornal em quadrinhos, no formato das publicações diárias, com o dobro do tamanho do Suplemento", informa Gonçalo.

Mas, como todos, Aizen não era perfeito. Somente um legítimo brasileiro poderia ser dono de um meio de comunicação no país. Para criar o Grande Consórcio, ele forjou uma certidão de nascimento e conseguiu esconder seu segredo até mesmo depois de sua morte. Sua verdadeira nacionalidade só seria revelada por Gonçalo Junior em A Guerra dos Gibis.

Além disso, Aizen soube se aproveitar de sua amizade com João Alberto Lins de Barros, chefe da polícia de Vargas e dono do jornal A Nação, para vender para o governo seu Consórcio, que começara a cair, com a perda de seus principais personagens para Roberto Marinho em 1939.

Em 1945, três anos depois da venda do Consórcio, conseguiu juntar forças e dinheiro para fundar seu novo empreendimento: a Editora Brasil-América.

As primeiras publicações da Ebal, como ficou conhecida, foram Herói, com os desconhecidos A Amazona dos Cabelos de Fogo, Freddy e Nancy no Circo, John Danger e Glória Forbes, entre outros; e Superman, primeira revista de super-herói do editor que circulou por 35 anos sem interrupção.
Mesmo disputando o mercado de quadrinhos no Brasil, Aizen e Marinho se uniram para lutar contra as fortes críticas que o meio vinha sofrendo. Entre as acusações estava a de que os gibis afastavam as crianças da leitura de livros e jornais, além de prejudicar à gramática, ao não utilizar um português correto, com uso de gírias e abreviações. Para tal, criou um código de ética dentro de sua editora.

Autores como Cecília Meirelles também se rebelaram contra essa forma de leitura que começava a ganhar força. "A escritora era responsável pela seção de estudos do folclore infantil do jornal carioca A Manhã e falou para uma platéia atenta sobre os inúmeros problemas que afligiam a literatura para as crianças, com ênfase para os perigos das histórias em quadrinhos", confirma Gonçalo em seu livro.

Mesmo assim, Aizen soube levar até quando o possível. Foi ele quem lançou pela primeira vez os quadrinhos Marvel no Brasil, em uma estratégia que teve entrega das edições número 0 dos personagens em postos Shell.
Jayme Cortez, Maurício de Sousa, Eugenio Colonnese, Adolfo Aizen, Henrique Lipszic, Nico Rosso e Manuel César Cassoli.
Um mês antes de completar 84 anos, no dia 10 de maio de 1991, veio a falecer, vítima de um infarto. Mas não antes de receber na Bienal Internacional de Quadrinhos de Lucca, em 1975, o prêmio Yellow Kid, como consagração por seu trabalho como editor fora do Brasil.

Após a morte de seu criador, a Ebal durou apenas mais um número de Príncipe Valente, personagem favorito de Aizen. Mas a editora ficou marcada na mente daqueles que a acompanharam, porque a vida dessa editora e desse editor são, em muito, a história das histórias em quadrinhos no Brasil.

O livro Guerra dos Gibis, do jornalista e pesquisador Gonçalo Junior, conta a interessante saga de Adolfo Aizen, desde seus primórdios, quando ainda era funcionário do jornal O Globo, até sua morte e a consequente concordata da Ebal. Leitura mais que recomendável para quem quiser conhecer sua história.

Impacto e legado

Durante suas primeiras quatro décadas a Ebal foi uma forte influência em várias gerações de editores, artistas e leitores, contribuindo decisivamente para a estabilização das histórias em quadrinhos no Brasil. Atualmente fala-se muito do impacto das revistas em quadrinhos como uma forma de expressão artística importante no mundo atual. Mas nas décadas de 50 e 60 as críticas e os ataques por parte de setores conservadores e clericais da sociedade eram constantes, propagando que o gênero era prejudicial aos jovens.

Mas Adolfo Aizen defendeu de forma ferrenha os quadrinhos em inúmeras entrevistas, artigos e campanhas, afirmando que as revistas, na realidade, estimulavam o hábito de ler, sendo de uma importância ímpar na educação.
Aizen no Congresso Internacional de Histórias-em-Quadrinhos.
A própria trajetória da Editora Brasil-América confunde-se com a evolução da imprensa brasileira e seu impacto na sociedade. Apesar disso, o tema nunca ganhou o merecido destaque, só sendo visualizado em sua total dimensão com o lançamento em 2004 de A Guerra dos Gibis: A Formação do Mercado Editorial Brasileiro e a Censura aos Quadrinhos (ISBN 8535905820) do jornalista e escritor Gonçalo Junior, uma pesquisa ampla e sem precedentes da história da Ebal.

Prêmios
  • Vencedor Prêmio do Yellow Kid - 11º Congresso Internacional de Histórias em Quadrinhos (1975)
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